A inveja infantil improdutiva (10.09.2012)



A relação de grande parte da nossa mídia e dos intelectuais locais com os Estados Unidos continua sendo a de uma inveja infantil improdutiva, uma síndrome que podemos chamar de “I. I. I. Adição”. Psiquiatras brasileiros poderão descrevê-la no futuro, caso eles mesmos não sofram da síndrome de inveja infantil improdutiva. E, como toda síndrome infantil, é primitiva e quase incurável.

Agora, com a eleição nos EUA, de novo, a síndrome se mostra na ridícula parcialidade da maior parte da cobertura e análises (se podemos chamar “gritos da torcida” de análise). A torcida grita: Obama é a prova de que homens criados por mulheres fortes e independentes produzem homens melhores (na realidade, homens com medo das mulheres…), Obama é a cura para a doença (a crise econômica) que assolou os EUA porque ele não representa os milionários e esses são malvados… risadas…

As “cheerleaders” gritam: os republicanos são obviamente idiotas que representam velhos caquéticos brancos que não representam a população americana (apesar de os republicanos terem o controle da Câmara de Deputados e de vários Estados). Pesquisas apontam que, em anos, o partido estará morto porque esses caquéticos terão morrido (pouco importa se grande parte dessas pesquisas são feitas pelos próprios liberais, “esquerda americana”, e de existirem mulheres, negros e hispânicos mesmo entre candidatos no Partido Republicano).

Não acredito em causas ideológicas para as ideias políticas, mas sim em causas mais primitivas e da ordem da tara: a base da crítica aos EUA é a simples inveja de que eles são mais ricos. A figura do Obama (fraco, populista e marqueteiro) é tudo a que a inveja nacional para com os Estados Unidos precisa: um negro, portanto vítima, que queria que os Estados Unidos fossem a Suécia.

Exagero. Obama não queria isso, mas nossos invejosos é que queriam que ele quisesse. Ele apenas discursa para liberais americanos (que nunca tiveram que lidar com uma folha de pagamento) que desdenham o fato de que os EUA são o único país do mundo com enorme população e de história bastante “jovem” a ser rico devido a própria capacidade de sua população produzir riqueza.

A Europa ocidental, com seu Estado de bem-estar social, está falida, inclusive por causa desse. Países como Suécia têm uma população de mil habitantes (trata-se de uma ironia, aviso aos especialistas em população da Suécia). Mas, ainda assim falida, essa Europa claudicante é o modelo que os invejosos tupis têm na cabeça e adoram o Obama porque pensam que ele seja um paladino de fazer os Estados Unidos virar a Suécia.

Ele inchou a máquina de impostos americana com sua versão INSS do Medicare. Os americanos não gostam de pagar a conta alheia, e têm razão de não gostarem. E perdeu de cara seu primeiro teste quando perdeu a maioria na Câmara de Deputados dois anos depois de eleito.

Prometeu fechar Guantánamo (a base americana em Cuba na qual são “interrogados” suspeitos de terrorismo) quando sabia que a segurança americana não podia se dar ao luxo de fazer isso. Coitado, mas grande parte de sua torcida tupi pensa como membros de centro acadêmico, ou seja, tem uma visão infantil da política e da geopolítica de segurança, ainda que passem por humilhações contínuas nos aeroportos por conta da segurança dos voos, inclusive quando vão para os EUA comprar tênis e iPads baratos, ainda que falem mal dos Estados Unidos.

A Fox News é acusada de ser descaradamente pró-Partido Republicano. O que é verdade. Mas até aí, como chamarmos a torcida desvairada do restante da mídia pelos democratas?

Sempre que se fala do Partido Republicano, logo após vem expressões como “homens brancos”, “velhos”, “milionários”, “não havia mulheres, afro-americanos ou hispânicos”. As “cheerleaders” tupis se referem ao elefante branco do Medicare do Obama como “avanço nos direitos sociais” destruído pelos republicanos.

Os americanos fizeram o país mais rico do mundo num curto espaço de tempo sem ficar gemendo ou culpando os outros ou pedindo “Bolsa Família”. Em vez de babar de inveja dos Estados Unidos, deveríamos aprender com eles.


Luiz Felipe Pondé (jornal FSP – 10.09.2012)  | Outra fonte para este artigo: AQUI


** ESTE ARTIGO É PROPRIEDADE INTELECTUAL DO AUTOR E DO JORNAL QUE O PUBLICA **


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~ por Pathfinder em 11/09/2012.

2 Respostas to “A inveja infantil improdutiva (10.09.2012)”

  1. Pondé mais uma vez acertou em cheio. Obama como homem que obedece uma mulher forte: uma boa sacada para dar a entender o universo de valores que fundamentam a sociedade politicamente correta: homem bom é aquele que obedece a mulher. Como se o mando de uma mulher fosse melhor que o de um homem. O pensamento politicamente correto funda-se apena nisso: há um tipo de poder que é mais puro e nobre do que outros poderes. A força coletiva de gays, ateus, afrodescendentes e minorias étnicas é considerada moralmente superior àquela de heterossexuais, católicos, brancos, etc. Ou seja, no pensamento politicamente correto, que se acredita baseado numa luta contra o poder, há uma forte presença daquilo que ele hipocritamente combate: poder. Obama é o símbolo disso. “Nós podemos” nada mais significa do que “nós podemos fazer o que quisermos. Vocês não.” A praga PC fundamenta-se na visão de mundo em que o poder justo encontra-se nas mãos dos ditos “desfavorecidos”. Caímos na problemática da origem desse conceito, que é cristã. Só que, enquanto a Igreja defende a vinda dos Céus no futuro, futuro este que trará redenção aos pobres, o comunismo afirma que possui a solução para o agora: a violência devastadora da revolução. Não deixar pedra sobre pedra, eis a meta de nossos militantes. Como Obama, obedecem suas mulheres fortes e decididas e, como elas, acham que seu poder é mais nobre e iluminado. É isso: a militância é só um despotismo esclarecido onde muitos querem sentar no trono.

  2. A força das mulheres…a fraqueza dos homens. Na sociedade da performance, só isso importa. O forte, o fraco. E o politicamente correto, como disse o cara aí acima, realmente não quer saber do não-poder, mas do ter-poder. Lá no arcanjosuburbano.blogspot.com há muita semelhança com o Pondé, além de haver um poema dedicado a ele.

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