Marketing Social (03.09.2012)


1. Ser gay está na moda. 2. Ter filha solteira é legal. Mulher não precisa de homem. 3. Não dou valor a dinheiro. 4. Não tenho preconceito. 5. Os homens hoje lidam bem com mulheres que ganham mais do que eles. 6. Minha tia é muito bem resolvida. 7. Vivemos uma crise de valores. Meus valores não são materiais. 8. Existem pessoas que não se vendem. 9. Meu pai me ensinou a ser digno. 10. Não tenho religião, tenho espiritualidade.

Eis alguns exemplos de papo-furado contemporâneo. Trata-se de marketing social. Filho do politicamente correto, grande exercício de lixo cultural.

O marketing social vende mentiras como verdades porque serve a agendas ideológicas de quem as produz. As outras pessoas apenas as repetem para aliviar seus fracassos pessoais ou para vender uma boa imagem social de si mesmas.

Como sempre, a mentira rege o mundo. Não somos mais pecadores, mas continuamos mentirosos. Eliminou-se da agenda moral a consciência do mal como parte de nós mesmos, ficou apenas o hábito contumaz da mentira.

Eis dez teses contra o marketing social:

1. Ser gay não está na moda. A maioria esmagadora do mundo é indiferente ao tema. Isso não significa nada “contra”. Se não fosse o fato de grande parte das pessoas que trabalha com cultura (mídia, arte, universidade) ser gay, ninguém daria bola para o assunto. A própria “teoria de gênero” que afirma que você pode ser sexualmente o que quiser é uma invenção de militantes gays e feministas.

Além, é claro, da grana que grande parte da população gay tem por ser constituída de profissionais altamente qualificados que não têm filhos, até “ontem”. Agora, ficarão pobres como os héteros.

2. Mãe solteira é péssimo. E, sim, mulher precisa de homem. Sem homem, a maioria revira no vazio da cama. E vice-versa. Mãe solteira é opção para quem não tem mais opção afetiva ou é coisa de gente altamente narcisista. E para a criança é péssimo. Gente que abraça o marketing social, além de mentirosa, é muito egoísta. O mundo inteligentinho está cheio de gente ressentida que prega essa bobagem.

3. Todo mundo dá valor a dinheiro, principalmente quando não tem. Quem mais diz que não dá valor a dinheiro, é justamente quem mais dá. Dizer “não dou valor a dinheiro” prepara o terreno para se pedir dinheiro emprestado ou justificar dívidas não pagas.

4. Todo mundo tem preconceito. Quem diz que não tem, normalmente acha meninas virgens doentes, mulheres que cuidam dos filhos umas idiotas, religiosos burros, os EUA uma nação do mal e Obama um santo. A maioria continua tendo preconceito contra gay, mulher que transa muito e homem chorão. Eu, por exemplo, tenho preconceito contra gente bem resolvida e que diz que não tem preconceito.

5. Nenhum homem lida bem com mulheres que ganham mais do que ele. A menos que ele tenha problema de caráter. É sempre um sofrimento que se enfrenta dia a dia, sonhando com seu fim. Nem as mulheres bem-sucedidas lidam bem com homens fracassados. Muitas “rezam” para que seus maridos falidos ganhem mais ou, pelo menos, o mesmo que elas.

6. Ninguém é bem resolvido, somente os mentirosos, principalmente tias solitárias que fingem ser donas de seus afetos.

7. Valores são sempre materiais, ligados a poder, patrimônio, sucesso, reconhecimento. Não existe “crise de valores” porque nunca existiram valores sólidos, a moral pública sempre foi fundada na hipocrisia e na superficialidade de julgamento do comportamento alheio.

8. Todo mundo tem um preço, sempre menor do que se imagina. Às vezes as pessoas se vendem por muito menos do que dinheiro, se vendem por afetos baratos, promessas falsas e deuses vagabundos.

9. Aprende-se muito pouco com os pais, na maior parte do tempo, o que nos define é o temperamento e as circunstâncias da vida. Aristóteles mesmo dizia que ética é uma ciência imprecisa dominada pela contingência. Quem elogia demais os pais, está ocultando suas vergonhas.

10. Esse negócio de “espiritualidade” é religião sem compromisso. Produto de butique. Pessoas “espiritualizadas” são normalmente as piores e mais indiferentes.


Luiz Felipe Pondé (jornal FSP – 03.09.2012)  | Outra fonte para este artigo: AQUI


** ESTE ARTIGO É PROPRIEDADE INTELECTUAL DO AUTOR E DO JORNAL QUE O PUBLICA **


Anúncios

~ por Pathfinder em 10/09/2012.

13 Respostas to “Marketing Social (03.09.2012)”

  1. Sobre a “teoria do gênero”
    Tem uma rapaziada por aí que mais parece Euglena: um gênero de algas unicelulares que têm flagelo (se locomovem, portanto – o que nos levaria em um primeiro momento a concluir: são animais), na verdade, dois flagelos cada indivíduo; não possuem parede celular (então, são mesmo animais), mas a membrana plamática é sustentada por umas estrias protéicas, que lhes empresta rigidez (êpa!); um terço das Euglenas contém cloroplastos e reservam paramilo (então são vegetais); mas dois terços são heterotróficos (animais, por se alimentarem de fonte outra que não sua própria produção de amido). Só que sua forma de reprodução é exclusivamente assexuada.
    Não sei se a espécie humana está evoluindo das Euglenas ou se voltando a elas.
    Beijo,
    Sheila Nunes

  2. Sou bem resolvida, mas tenho preconceito, sim, contra ti.

  3. Os textos de Pondé são brilhantes mas são impositivos. Gosto deste histrionismo escrito

  4. Pondé foi muito feliz com esse texto.

  5. sinto uma raivinha nesse texto.

  6. Esse yoga master tá a cara do LFP… isso sim é marketing pessoal.

  7. Alessandra,

    Com a possível exceção dos textos sobre cinema, todos os textos restantes do Pondé são recheados de raivinha.

  8. Acredito que os textos do Pondé não sejam recheados de raiva. Há um senso de observação da realidade muito grande no que ele escreve. Não conheço uma única mulher bonita que more na favela que goste de namorar a pé. Nunca conheci uma única favelada bonita que quisesse namorado desempregado e que não tivesse carro para levá-la ao motel. Não conheço uma única mãe de família que não queira ver a filha bem casada, sem passar por necessidades financeiras. Acredito que o pensamento politicamente correto seja o mais hipócrita de todos, porque as belas sociólogas as Ongs não se casam com favelados feios. Essa é a verdade: quantas pedagogas burguesinhas que andam pelas comunidades se relacionam com rapazes favelados…eu gostaria de saber isso. Além do mais, quanto à espiritualidade, nossa classe média se diz uma amante da vida humana, quando na verdade ela só gosta de uma vida humana bem vestida e perfumada. Eu nunca vi uma modelo top com um mendigo. Se alguém já viu, por favor, disponibilize a foto. Não somos perfeitos. Gostamos de ver beleza ao nosso redor. Nas comunidades do Rio, nos bailes funk, a exigência de beleza corporal é muito maior do que nas baladas burguesas. Mulher de corpo feio não tem a menor chance de encontrar namorado em baile funk. Procurem as fotos desses bailes na internet. Vejam como os pobres gostam de ser feios. Mulherada pobre adora beleza, tratamento estético, megahair, chapinha, gloss vermelho, vestido curto e pele sedosa. E não tem essa de que mãe solteira é legal: nas comunidades, as mulheres fazem de tudo para conquistar um novo namorado. Saem até no tapa por isso. Ninguém quer pagar as contas ou dormir sozinho. O Pondé está certo: há uma hipocrisia fundamental na praga PC. É a hipocrisia de não nos considerarmos como seres que necessitam de bens para viver. Sem laptops, notebooks, Ipads e o escambau, vocês não estariam aqui.

  9. 5. Os homens hoje lidam bem com mulheres que ganham mais do que eles.

    5. Nenhum homem lida bem com mulheres que ganham mais do que ele. A menos que ele tenha problema de caráter. É sempre um sofrimento que se enfrenta dia a dia, sonhando com seu fim. Nem as mulheres bem-sucedidas lidam bem com homens fracassados. Muitas “rezam” para que seus maridos falidos ganhem mais ou, pelo menos, o mesmo que elas.

    “Então, teremos um problema, nos EUA os salários já se equipararam e no Brasil a tendência é essa também e logo ela irão ultrapassar os homens. Na academia as mulheres já são 60% e se estão estudando mais, vão ganhar mais. As mulheres vão ter que conviver com isso ou vão virar lésbicas, particularmente, acho a primeira hipótese mais provável.

  10. Concordo com o Alessandro. Fantástico o que ele disse!

  11. Preconceito em cima de preconceito. Burro que se acha. Faz tipo raivoso como Mainarde. Lixo.

Comentários encerrados.

 
%d blogueiros gostam disto: