RIO + VINTE

Imagem adaptada a partir da ilustração “Juventudes na Rio+20” (fundo)


A demagogia verde dos salvadores (15/06/2012)


UMA COISA que sempre me chama a atenção é a vocação autoritária dos verdes em geral, assim como seu caráter ideológico travestido de evidência científica “inquestionável.” Não é para menos uma vez que são movidos pela crença de que estão salvando o mundo. Todo mundo que crer salvar o mundo é autoritário.

Claro que devemos nos preocupar com o meio ambiente. Essa é uma ideia já antiga. Machado de Assis no seu maravilhoso “Dom Casmurro”, através de seu narrador Bentinho, já falava de pessoas inteligentes que iam jantar em sua casa na sua infância e falavam que os polos estavam derretendo…

Pessoas que se julgam salvadoras do mundo são basicamente de dois tipos: ou são autoritárias ou são infantis. Na tribo verde existem os dois tipos, e como crianças são naturalmente autoritárias, não há muita saída: as duas características se encontram com frequência na mesma pessoa. Um dos desafios da cultura verde é se livrar desse mau hábito. Até agora, me parece uma tarefa impossível.

Falemos do infantilismo. É comum ideólogos verdes (que dizem falar em nome da ciência, essa senhora, coitada, tão abusada em nossos dias e que todo mundo diz frequentar seu circulo mais íntimo), falarem coisas absurdas e ninguém percebe seu absurdo. Quer ver um exemplo?

Uma dos impasses da humanidade é o fato de que sua população cresce e todo mundo quer ser feliz, comer bem e ter uma vida confortável. Todo mundo quer ser “americano” ou “alemão”, no sentido de viver altos padrões de qualidade de vida. A questão sempre é: quem paga a conta? Em termos ambientais, de onde virão tais recursos? Como servir a todo mundo sem explorar a natureza? Não dá. Não adianta esquisitos de todos os tipos acharem que seus hábitos de alimentação, praticados em cozinhas orgânicas, salvarão a humanidade.

Verdes demagógicos, intelectuais “profetas” e políticos marqueteiros são personagens que adoram prometer o impossível. Eles dizem que dá pra fazer da vida uma festa de bem-estar e deixar as plantinhas e os animaizinhos em paz. Este é o absurdo.

O intelectual americano Thomas Sowell em seu maravilhoso “Intellectuals and Society” (no Brasil, publicado pela É Realizações) desvenda a mágica por detrás de absurdos como este de dizer que vai dar para todo mundo ser feliz sem machucar nada nem ninguém: quem diz absurdos como este fica bem na fita, se autopromove (já que a democracia é o regime da mentira de massa por excelência) e ganha muito dinheiro no mercado “do bem”.

Que Deus proteja o planeta da demagogia verde.


Luiz Felipe Pondé (jornal FSP – 15.06.2012)


Baudelaire e o blá-blá-blá de sempre (20/06/2012)


SÃO HORROROSAS as instalações da Rio+20. No meio, uma praça de alimentação cheirando a gordura. Veganos salvando o mundo com suas beterrabas. Temas que vão da erradicação da pobreza, a terra para os povos das florestas, aos afetos corretos para nossas crianças.

Vamos a fatos empíricos. Sempre fui um apaixonado pelo empirismo selvagem de Baudelaire, o “flâneur” que descobriu a inviabilidade da modernidade andando a esmo pelas ruas de Paris.

Ouvi várias mesas, uma delas com especial atenção: o tema era a educação ambiental que será objeto da “Intergovernmental Conference on Environmental Education for Sustainable Development”, a ser realizada em Tbilisi, Georgia. Tbilisi+35 será em setembro de 2012.

O mesmo blá-blá-blá de sempre sobre como devemos gastar dinheiro crendo nas ideias de uns quatro caras.

O interessante era ver as alemãs (ou seriam suecas, norueguesas, dinamarquesas?) enchendo a sala com seus iPads. Georgianas não eram porque essas estão ocupadas em cuidar dos seus vários filhos. As loiras (alemãs, suecas, norueguesas ou dinamarquesas) suavam bicas.

Com suas minissaias (para elas o inverno irrelevante do Rio era verão light) e pernas cruzadas, elas se afogavam num misto de tédio, suor e esforço descomunal para provar que tudo aquilo era a fronteira entre o caos e o paraíso. O pescoço levemente deslocado para frente provava o esforço de atenção, enquanto suspendiam as saias alguns milímetros com tal gesto. Suspeito que suas almas estavam mais nas saias do que nos tablets.

Noutra sala, um interessante fato ecológico. Sala abarrotada de gente e iPads nas mãos de africanas chiquérrimas. De repente, uma das alemãs (??) se senta numa cadeira vazia. Sentada ao lado, uma senhora que poderia ter sido uma alemã de minissaia anos atrás se enfurece dizendo que o lugar era de uma amiga sua. A jovem alemã (??) não julga justo o lugar ficar “guardado” enquanto tanta gente fica de pé. Um homem se prontifica a buscar outra cadeira. O segurança da ONU (parecia filme americano, só faltava a Nicole Kidman de tradutora e intérprete) interrompe dizendo que não autoriza mais colocar nenhuma cadeira na sala porque ela estava lotada.

Questão ambiental: o que fazer quando gente demais “tem o direito” de ser feliz se sentando numa sala que não cabe mais cadeiras? Ou se põe gente para fora, ou aceita-se que o mundo sempre fica dividido entre os sentados e os “sem-cadeira”, ou, quem sabe, se faz uma conferência da ONU para decidir como sermos justos na distribuição das cadeiras no futuro.


Luiz Felipe Pondé (jornal FSP – 20.06.2012)  | Fonte original deste artigo: AQUI


O empresário, o guru e o hippie velho (22/06/2012)


Fui visitar as outras Rio+20, no Forte de Copacabana e no aterro do Flamengo. A do forte é bastante organizada e com pessoal bem treinado para lidar com multidões. A do aterro tem cara de feira de hippie velho.

No forte há dois ambientes. Um anfiteatro para mesas redondas com grandes empresas e gurus verdes. Vi um interessante debate no qual o representante da Ambev Milton Seligman falou muito bem sobre como a sustentabilidade só funcionará quando entendermos que ela tem de operar num mercado de bens e recursos naturais e tecnológicos sustentáveis e competitivos.

O outro ambiente é a exposição sobre a humanidade. Não escapa do marketing emocional barato. Numa sala específica, frases de intelectuais afirmam absurdos sobre um mundo baseado em solidariedade e amor pela humanidade e de como gastamos dinheiro em armas, conforto e jogos eletrônicos (!!) desnecessários. Cifras eletrônicas apontam quantas crianças nascem e morrem enquanto olhamos os números, assim como também quantas árvores são derrubadas (desertificação).

O ridículo de tal abordagem está no fato de que ao questionar o gasto em armas não se percebe que diante da multidão que ali se encontra, apenas o forte esquema de segurança e de ordem imposto pela equipe é que impede que a multidão de seres pretensamente solidários furem a fila e atropelem uns aos outros.

Basta observar o dia a dia institucional desses intelectuais que pregam a solidariedade para ver que são a prova irrefutável de que Thomas Hobbes, filósofo inglês do século 17, tinha razão quando dizia que o homem é o lobo do homem. Um dos ambientes de trabalho mais violento e desonesto é aquele ocupado por esses intelectuais “do bem”.

No aterro do Flamengo há uma espécie de “cúpula dos povos” que dá vontade de cortar os pulsos. Trata-se de uma mistura de feira de periferia, cheia de cacarecos a venda, com cheiro de assembleia de estudantes que não gostam de assistir aula.

Ela reúne hare krishnas chatos, gente do MST querendo invadir a terra alheia, bandeiras do PT e PC do B e índios desbotados. Claro, não faltavam aqueles caras pintados de branco dizendo “save the planet” com sotaque ridículo.

Aliás, a coisa toda é ridícula porque todo mundo sabe que esse “amor entre os povos” acaba no primeiro momento que alguém tiver que pagar a TV a cabo. Essa moçada de “um outro mundo é possível” só fica por perto enquanto mamam o dinheiro de alguém, quando eles tem que meter a mão no bolso, normalmente todos voltam para seus buracos de origem.


Luiz Felipe Pondé (jornal FSP – 22.06.2012)


** ESTE ARTIGO É PROPRIEDADE INTELECTUAL DO AUTOR E DO JORNAL QUE O PUBLICA **


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~ por Pathfinder em 09/07/2012.

Uma resposta to “RIO + VINTE”

  1. Em 1992, era Eco 92. Eu já tinha 9 anos de formada em Ciências Biológicas. Por que não participei? Achei um grande teatro. Em 2002, foi em Johanesburgo. Eu cursava algumas cadeiras no mestrado em Ciência Ambiental na UFF, como aluna “especial”
    Um careta do grupo de “alunos especiais” – tratava-se de um senhor que estava sempre vestido com um jaleco do Greenpeace – disse que estava indo a Johanesburgo. Pensei com meus botões: “Poxa, esse cara deve ter muita grana, porque ir à África do Sul e por duas semanas!!!” Que nada. Quando da volta dele ele começou a se gabar junto aos professores. Daí concluí: “Encontro de revendedoras Avon”. Resumo do encontro: eles levam, ou trazem, todo o tipo de parafernália patenteada para ser vendida.
    Eco 92, Johanesburgo 2002, Rio + quase 200 milhões de idiotas brasileiros… Virou Rio +20? Quando mesmo???? É só marketing. O pior é que, o que tinha que ser discutido é o controle de natalidade. Somos mais de 7 bilhões, segundo um contador (de cabeças de cima) maluco que ninguém sabe quem é. E seremos, agora, segundo a ONU, mais de 9 bilhões em 2050, daqui a pouco mais de 30 anos!!!!
    Mas controle de “consumidores” não interessa a vendedor de produtos.
    Sinceramente.
    Sheila Nunes

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