Pondé e o Movimento das Vadias (11/06/2012)



Vadi@ ou vadia, eis que a questão. A primeira é de mentirinha, a segunda é pra valer.

Você me pergunta como pronunciar a palavra “vadi@”? A resposta é: não se pronuncia. A intenção no uso de “@” no lugar da vogal que designa o gênero de uma palavra é exatamente ser politicamente correto e emudecer a palavra. Coisa de fascista.

Pergunto-me: que mente brilhante teve tempo vazio o suficiente para pensar em algo tão sublimemente vazi@? Mas e “vadia”? Vadia, até ontem, era uma mulher fácil. Mas, agora, é um termo que designa um novo direito: aquele de vestir saia curta, mostrar os seios, e não ser objeto de violência sexual. Tem todo meu apoio. “Homem que é homem não bate.”

No fundo, o novo uso da palavra “vadia” significa: “só gosto de apanhar de quem me dá tesão”, como me disse, uma vez, mais ou menos assim, uma aluna, para definir o que era, para ela, uma mulher emancipada.

O movimento das vadias, nascido no Canadá, retoma a ideia de ser vadia de uma forma bem-humorada e, espero, sem incorrer no erro clássico do feminismo: deserotizar a mulher a fim de torná-la “cidadã”.

Uma das coisas que me faz simpatizar com a “agenda das vadias” é sua estética, que a distancia da agenda careta e puritana do feminismo institucionalizado. O puritanismo feminista, que não entende nada de mulher, faz da mulher uma “camarada” vestida de homem em meio a um mundo brocha de tanta exigência de igualdade entre os sexos.

Pecado dá mais tesão do que a revolução sexual, esta brincadeirinha de menina de classe média. Não existe “sexo correto”, sexo é o lugar no qual nos perdemos, e por ser gostoso, sempre “metemos” os pés pelas mãos.

Aliás, o sentido ambíguo da palavra “metemos” nesta frase (num contexto sobre sexo) fala mais de sexo do que uma lei que diga que “sexo é dever do Estado e direito de todo cidadão” ou que “sexo é saudável e que devemos praticá-lo três vezes ao dia, segundo pesquisas em Harvard”.

Como diria Freud, sendo irônico: “Penis normalis dosim repetatur” não resolve o problema da histérica. Veja, por exemplo, a literatura sadiana (do Marquês de Sade, autor do século 18, chamado de “divino” por quem provavelmente não faz sexo): existe coisa menos erótica do que sua histeria a favor do “sexo livre”? Sade cresce quando fala que a natureza é perversa e não quando fazem dele arauto da Revolução Francesa e sua breguice ideológica.

O risco maior é do movimento das vadias fazer da vadia uma vadi@ e com isso revelar nosso preconceito contra as verdadeiras vadias, mulheres que encantam o mundo com seu Eros intratável. As verdadeiras vadias devoram homens porque em sendo promíscuas, entendem mais sobre a alma humana do que “padres, freiras e revolucionários”, parentes muito próximos das feministas, e mais afins com a tendência de fazer do sexo um “direito de todo cidadão”.

Quem diz coisas como “sexo é saudável” faz gargarejo e escova os dentes depois de fazer sexo oral.

Recomendo para quem quiser ser vadia pra valer e não vadi@, a trilogia de E.L. James, uma inglesa, “Fifty Shades”, cujo primeiro volume, Fifty Shades of Grey (cinquenta tons de cinza) é best-seller absoluto no mundo de língua inglesa.

O livro narra o romance entre um homem de cerca de 30 anos, “macho alfa” (rico, bonito, seguro, inteligente) e uma mulher de cerca de 20 anos, também arrasadora. Surpresa: ele curte “sadomasô” light e ela se descobre apaixonada pela submissão sexual ao homem como jogo de prazer. Contra quem acusa seu livro de “machista”, a autora diz que graças ao seu livro as mulheres estão conseguindo falar de sexo de novo depois de anos em silêncio devido à patrulha das “camaradas”.

A diferença entre vadi@ e vadia é que enquanto a primeira geme de ressentimento porque é mulher, a segunda geme de tesão quando puxam seu cabelo. Depois, ela toma um banho e vai numa reunião de negócios sem que ninguém suspeite em qual secreta posição ela gosta de apanhar de quem lhe dá tesão.

Amanhã é Dia dos Namorados. Compre uma saia de vadia pra sua namorada. E não escove os dentes depois.


Luiz Felipe Pondé (jornal FSP – 11.06.2012)  | Fonte original deste artigo: AQUI


** ESTE ARTIGO É PROPRIEDADE INTELECTUAL DO AUTOR E DO JORNAL QUE O PUBLICA **


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~ por Pathfinder em 29/06/2012.

3 Respostas to “Pondé e o Movimento das Vadias (11/06/2012)”

  1. Que ridículo! Homem que gosta de sexo: macho alfa.
    Mulher que gosta de sexo: vadia
    Por que uma mulher ao exercer sua sexualidade é taxada de vadia?
    Quanto lixo machista.

  2. lixo machista? no blog do Pondé? estou~EMUDECIDA~ rs ah é tb estou ~emudecida~pelos conhecimentos linguisticos do pondé… linguistica 101 deve fazer falta no curso de filosofia né…

  3. Sempre houve controle institucional, exploração política e comercial do desejo feminino.. MARAVILHOSO ARTIGO!!

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