Páscoa (02/04/2012)


A velha colocou as quatro cabeças, em linha reta, por sobre uma pedra redonda; todos esboçavam sorriso…



Em sentido horário: Saturno devorando seus filhos (Goya), O Martírio de São Pedro (Caravaggio), Campos de Tortura de Tuol Sleng (Vann Nath), Phan Thị Kim Phúc em Trang Bang (Nick Ut) e O Estupro de Lucrécia (Felice Ficherelli)


Duas crianças amarradas. Choravam. Nuas, sentiam frio. As cabeças doíam porque estavam meio abertas por pancadas que recebiam de vez em quando.

O bando se ocupava com o cotidiano. Bater aos pouquinhos na cabeça de suas vítimas era um modo de preparar o cérebro para ser comido. Assim garantiam que estariam macios ao toque dos dentes.

Duas mulheres se acariciavam e se lambiam uma a outra, enquanto o filho de uma tentava em vão penetrar uma delas.

Três homens chegavam ao lugar onde viviam e traziam consigo outras duas crianças, duas meninas arrastadas pelo chão.

Gritaria e felicidade. Precisavam de quatro crianças. O jantar estava próximo. A fome era um desconforto profundo. Eles se perguntavam, às vezes, o porquê de sentirem fome. Não seria mais fácil a vida tranquila das pedras? Quando aquela dor invadia suas barrigas, as boas sensações desapareciam em meio a vontade furiosa de mastigar alguma coisa. [continua…]

Para ler o resto do artigo (completo): AQUI

LUIZ FELIPE PONDÉ (jornal FSP — 02.04.2012) 


** ESTE ARTIGO É PROPRIEDADE INTELECTUAL DO AUTOR E DO JORNAL QUE O PUBLICA **

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~ por Pathfinder em 03/04/2012.

10 Respostas to “Páscoa (02/04/2012)”

  1. Os jornais, o noticiário, a TV – nada disso nos traz a indignação que deveria passear nossos espaços internos, nossos pensamentos, emoções, olhar e se exteriorizar em palavras e ações.

    Pior ainda quando somos os atores de atrocidades a “pequenos” pecados: “Mas são só cinco minutinhos, seu guarda!” Degustamos os cérebros de nossos filhos, de nossos alunos com nossos maus exemplos diários. Apontamos os erros dos políticos, os erros dos outros, mas nos cegamos para a nossa violência praticada dia-a-dia. (torcidas de futebol, por exemplo).

    Que quadro vivaz! Que bela capacidade de nos trazer do sono, da indolência! Parabéns! Que surpresa boa em caixinha requintada! Obrigada por não nos permitir “deitados eternamente em berço explêndido”.

    Sinceramente,
    Sheila Nunes

  2. Desafio do Pondé

  3. Uma vez eu vi o Pondé dizendo, acho que em um estrevista, que tinha feito 20 anos de análise. Só não entendi porque ele parou.

  4. Pondé como sempre nos lembrando da existência do MAL. Apesar do texto alegórico, não duvidem que neste exato momento atrocidades assim são cometidas, levando ao mesmo grau de sofrimento do outro

  5. Tá difícil pra esse povo lidar com metáforas…
    Por que não vão todos ler a Danusa Leão?
    Que os medócres fiquem com seus semelhantes, e bem felizes.

  6. A Danuza Leão pode não ter a formação acadêmica quilométrica que o Pondé tem, nem o hábito de escrever por metáforas, mas ela escreve mil vezes melhor do que ele. Vejam bem, não estou falando do conteúdo, mas da clareza do texto, pura e simplesmente, porque, sim, ele escreve mal, muito mal. Ora, ele que vá usar metáforas com seus alunos ou nas palestras “intelequituais” que ele dá. Como bem já disse o Carlos Heitor Cony, que tem dez vezes mais experiência do que o Pondé em escrever colunas de jornal “se o leitor não entende, o problema é de quem escreve e não do leitor”, pois estamos falando de textos jornalísticos e não de ensaios filosóficos.

    • Sou a favor de textos claros, mas discordo dessa argumentação. Não é porque ele escreve em jornal que tem de ser inteligível para todos os leitores. Quem tem alguma “bagagem” ou está acostumado com o estilo do Pondé, entende. E mesmo que não se entenda, porque não se esforçar para pensar a respeito. Esse negócio de conteúdo mastigado é a coisa mais ridícula que eu já vi.

      Não falta clareza ao Pondé, falta é estômago ao leitor para assimilar o que ele diz.

      Eduardo

    • Dizer que o texto é violento, de mau gosto ou exagerado é uma coisa. Pode ser a sua opinião ou a minha… Mas dizer que não é claro é um equivoco. Não precisa ter o Lattes do Pondé para entender razoavelmente a intenção dele com esse texto. Não precisa nem ter Lattes algum, basta pensar um pouco a respeito.

      Preguiça mental é pior que preguiça física, na minha opinião. Inaceitável!

      Engraçado como as pessoas conseguem ir ao cinema assistir os filmes mais violentos e grotescos possíveis produzidos em Hollywood, como aquela porcaria dos “Jogos Mortais” e ficam todos ofendidos e revoltados com o texto do Pondé. Tenha dó! Agora tem até um filme que conta a estória de uma competição entre crianças e adolescentes que tem de se matar entre si para sobreviver ao jogo. Por que ninguém fica horrorizado com isso?

      Acho essa reclamação toda e implicância com tudo o que ele escreve uma baita hipocrisia. O ser humano ainda é tremendamente violento, capaz de monstruosidades indescritíveis com seus semelhantes e não estamos mais na pré-história. O que há de tão surpreendente no que ele escreveu? Como as pessoas viajam na maionese!

  7. Acho engraçado tanta indignação com esse texto. Ok, ele é violento? Sim, é. É indigesto? Sim, MUITO. Parece de mau gosto para a semana de Páscoa? Sim, certamente parece. Mas não é mais indigesto do que notícias de casos REAIS que vemos acontecer ao redor do mundo ainda hoje, em nossos dias, notícias de situações tão horrendas quanto a fictícia descrita por Pondé. A diferença é que NÃO ESTAMOS MAIS NA PRÉ-HISTÓRIA, certo?

    Não precisa ir muito longe. Basta ler os jornais brasileiros mesmo e tem até a descrição de criançinhas sendo alimentadas com carne humana. Olha que bonito! Como nós somos tãaaaao civilizados e o Pondé só delira com o típico “mau gosto” de que sempre o acusam os revoltadinhos que acreditam com tanta “fé” nesse nosso “mundo civilizado”!

    Será que vocês estão duvidando e achando que sou mais uma “fã” revoltada com as críticas ao meu “ídolo”? Então, dêem uma olhadinha nesta notícia fresquinha de Pernambuco que uma amiga encontrou na net:

    “Acusada de canibalismo vendia empadas com carne humana em Garanhuns (PE), diz polícia” >> http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/04/13/acusada-de-canibalismo-vendia-empadas-com-carne-humana-em-garanhuns-pe-diz-policia.htm

    Só para encerrar o comentário: posso afirmar não gostei do texto do Pondé porque me deu náuseas, mas entendi claramente o próposito. Logo, não vou choramingar porque embrulhou o meu estômago. Não me senti ofendida por isso. A vida é o que é, mas a maioria não gosta de ser lembrada disso, ao que parece. Preferem textos “edificantes” nas colunas da Ilustrada… hahaha, só rindo mesmo!

    Afinal, não é verdade que tanta gente diminui a velocidade do carro para ver um acidente na estrada, para dar uma espiadinha se não há nenhum corpo morto caido no meio-fio, pouco se importando se estão causando congestionamento. Nós não gostamos de sangue, somos tão civilizados! Tão “pró-vida”, pró-saúde, tão a favor do politicamente correto e do salvamento do planeta ficando um dia sem acender as luzes de casa! REALMENTE… Vale lembrar do exemplo cinematográfico que alguém aí em cima citou nos comentários: se filmes do tipo desse “Jogos Mortais” não enchesse as salas de cinema e não gerasse GRANA, ou seja, se as pessoas não assistissem esse tipo de coisa, não sentissem algum tipo de prazer em ver outras pessoas sendo torturadas, estupradas e esquartejadas, os estúdios de cinema não teriam feito tantas séries como essa, certo?

    Os seres humanos não só praticam violência monstruosa, mas também gostam dela! O duro é admitir isso, né, gente? 😉

    CAROL

  8. Se já há tanta violência no mundo real, qual motivo leva o Pondé a escrever um texto com o mesmo conteúdo violento das notícias corriqueiras que lemos todos os dias nos jornais, vemos na TV, na internet etc? Será que ele quer nos fazer pensar, decifrar suas metáforas inteligentíssimas, desafiar nossa preguiça mental, ou será que só quer “causar” mesmo? O que importa é que em ambas as hipóteses ele consegue o que quer: chamar atenção para si mesmo. E ficamos nós, tontos, aqui a discutir seus textos. Agora eu entendo porque ele fala tanto em “marketing pessoal”, afinal é um assunto no qual ele é mestre.

Comentários encerrados.

 
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