Entrevista com Pondé na revista Pais&Filhos

Herdeiro intelectual do “maldito” Nelson Rodrigues, Pondé, pai de Dafna e Noam, é um cético que acredita na força da religião e questiona a sacralização da ciência. Abandonou a faculdade de Medicina e foi em busca de respostas mais exatas na Psicanálise e na Filosofia. Em suas colunas, publicadas no jornal FSP, ele ataca os politicamente corretos, a ditadura da alimentação saudável e o discurso sustentável. Conversamos com ele em plena Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), onde Pondé dividiu mesa com o neurocientista Miguel Nicolelis. Nos embates entre religião e ciência, a conclusão é que somos humanos, demasiadamente humanos.

Por Larissa Purvinni (mãe de Carol, Duda e Babi)  |  FONTE: Pais & Filhos online





Os nomes dos seus filhos, Noam e Dafna, têm origem judaica?

Sim, os dois. Noam é uma derivação da expressão em hebraico “Naim”. Quando você conhece alguém, fala: “naim meod”, que significa muito prazer. Então Noam tem a ver com essa palavra prazer, agradável. Dafna é a versão hebraica de Daphne, Laura, a árvore de louro.


O pai de hoje é diferente do que já foi?

Eu acho que existem temperamentos, não é geracional. Meu avô, pai da minha mãe, sempre foi um pai muito presente. Eu também sempre fui um pai muito envolvido com meus filhos desde que eles nasceram, não por me sentir obrigado a, mas por gostar de. Então eu acho que alguns homens são mais preocupados com os filhos e com a vida cotidiana deles do que outros. A maioria não é. Mas existe uma pressão da sociedade hoje para que os pais sejam mais participantes do dia a dia dos filhos.


Você acha que pai sente culpa também?

Pai tem culpa também. Pelo menos, eu tive! E tenho. E os que eu conheço também têm. Acho que a culpa da mãe é maior. Acho que a pressão em cima da mulher é muito maior nesse assunto. E isso tem causas biológicas. Eu acho que a culpa do pai, ela vem, antes de tudo, do fato de ele ser ou não bom provedor para os filhos. Isso, talvez, seja uma culpa mais específica dos pais.


Muita gente acaba tendo filho na busca do sentido da vida, não é? Você acha que isso acontece mesmo e que pode ser um peso para estas crianças, neste mundo onde as pessoas já não se apegam tanto à religião?

Acho que o que existe, num certo âmbito de pessoas que trabalham com cultura, seja na universidade, na arte, na mídia, é uma certa bolha de desapego à religião. As religiões não acabam e não devem acabar nunca. Porque o problema do significado da vida é muito sério, então a religião é o sistema de significado mais poderoso que tem. Porque ele é tanto abstrato como concreto. Quando você diz que ter filho pode se transformar numa espécie de significado para a vida, tem razão. Eu acho que, às vezes, muitas mulheres que acabaram não casando, quando chegam aos 50 anos, sem filhos, se desesperam, se sentem sós, se arrependem de não ter feito esse tipo de investimento. Quer dizer, homens também. Mas acho que os homens menos.


Tem aquela frase do Freud, “mãe, faça o que fizer, você estará fazendo mal”…

O tempo inteiro você está errando. Isso é o normal. Se você tenta ser uma mãe perfeita, talvez você se saia pior do que uma mãe que, simplesmente, vai com o hábito de ser mãe, dentro da ancestralidade de ser mãe, da forma com que cada um consegue. Você não faz um curso para ser mãe. Você vira mãe e você vai se virando.



PARA LER O RESTO DA ENTREVISTA: revista Pais & Filhos online (partes 2 a 4)

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~ por Pathfinder em 07/08/2011.

 
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