Pondé participa da conversa sobre publicação do MEC



No sábado passado, Pondé participou do Painel do Globo News (apresentado por William Wack), junto com o professor Roberto Romano (da UNICAMP) e a educadora e socióloga Maria Alice Setúbal, para comentar sobre a publicação didática do MEC que aparentemente “ensina a escrever errado” — um assunto que movimentou o país na última semana.

Assista aos vídeos do programa que foi ao ar no dia 21/05/2011 (clique nos links abaixo ou na foto acima).


VÍDEO 1 – Abertura do programa

VÍDEO 2 – A cartilha do MEC e a qualidade dos debates no Brasil


Não existe ditadura pior e arrogância maior do que de intelectual que assume cargos no estado. Isso vem desde o Romantismo… Preparam formas e fôrmas quando a estrutura inteira está sendo revirada de cabeça para baixo. Isso, no mínimo, em filosofia ética, chama-se “imprudência”.

(Roberto Romano)


Acho que o Estado deve reconhecer – como reconheceu – a união civil de homossexuais; agora, acho que o Estado não tem nada que ficar discutindo o que é “normalidade” ou “não normalidade” em termos de vida sexual. Acho que isso é uma coisa do âmbito da sociedade… Não sei quem vai dar aula, quem atesta as ideias ou a forma de pensar dessa pessoa que vai dar aula disso. Pensando como pai,  por exemplo, […] quem disse que eu necessariamente tenho que concordar com a coordenação de uma escola e o modo como ela vai lidar com uma questão como essa? Isso é o que eu chamava de “dirigismo”: essa espécie de guarda-chuva do Estado pensar que tem que formar o cidadão em todos os níveis e se meter na vida de todo mundo. Do meu ponto de vista, é correto reconhecer a união civil, porque, na realidade, as pessoas tem o direito de viver a sexualidade do jeito que elas quiserem, mas o Estado não tem nada que se meter na escola e ficar dizendo sobre a sexualidade das pessoas .

(Luiz Felipe Pondé, sobre educação sexual nas escolas)

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~ por Pathfinder em 23/05/2011.

3 Respostas to “Pondé participa da conversa sobre publicação do MEC”

  1. […] Áudio com a qualificação do Beccari Pondé fala sobre a cartilha do MEC Charge de paródia da Banda mais Bonita da Cidade Nova data do fim do mundo Abortionplex […]

  2. Sr. Pondé,

    Embora não o conheça, e nunca tenha ouvido falar da sua pessoa, fui forçosamente apresentado ao senhor via programa Entre Aspas, com a competente Monica Waldvogel.

    Durante o programa, pude vê-lo como um discurso discordante. Sim, estamos num Estado dito “democrático”, e todos os discursos devem (ou deveriam) ter espaço, e o debate é sempre bem-vindo, até porque a homogeneidade de ideias parece ser mesmo burra e maniqueísta. O problema é que, muitas vezes, o tal discurso “contracorrente” – como percebi, é a sua linha – nnão passa de uma decisão ou postura puramente cínica, em que o emissor busca apenas chamar a atenção para si por ser “diferente”, mesmo que suas ideias sejam esvaziadas de bom senso. Às vezes, soa à histeria, como diríamos recorrendo à Psicnálise.

    Assim, apesar de o mundo moderno desenvolvido caminhar para a quebra do paradigma de um discurso hétero-misógino-hegemônico, em que a mulher e os homossexuais são vítimas de discriminação, o senhor, anacronicamente, tenta apelativamente se colocar, em seu subtexto (ou imagina tentar representar, o que aparentemente é meio esquizofrênico, visto sua imagem com vísiveis contornos estereotipados do mundo gay – mea culpa neste “preconceito”!?), como uma “nova vítima” dentro desse contexto de debate: o “heterossexual perseguido”, numa triste tentativa de inverter a lógica perversa e óbvia, que culmina no bullying nas escolas (motivo de orgulho para machões como o neofascista Bolsonaro) e nos assassinatos de pessoas, motivados apenas pela diferença de orientação sexual.

    Sobre esse assunto, ao ter contato com discursos como o seu, fica sempre a vontade de aclamar pelo bom senso e perguntar, a frio: algum hétero é morto por “ser” hétero? Certamente não. Então, seja lúcido e não tente propor essa inversão de realidade. Manipular esse tipo de informação na mídia de massa – onde a média é extremamente desinformada – é triste, perverso e prejudicial à toda a evolução no campo dos Direitos Humanos.

    E, para conhecimento, a respeito do termo “homossexualismo”, usado pelo senhor, é importante destacar que o sufixo “ismo” (doença) foi abolido pelo Organização Mundial da Saúde em 1985. O termo mais amplo, que diz respeito às formas de afetividade (e não somente à relação sexual) é homossexualidade. A escolha do uso daquela primeira palavra, anacrônica, dita de maneira displicente, “inconsciente?”, ou subrepticiamente jogada para gerar o impacto pejorativo que ela traz (mas que o mundo desenvolvido já extirpou de seu dicionário) traduz bem quem dela ainda faz uso. Vinte e seis anos, no mínimo, estacionado no tempo.

    Marjorie Morgado
    São Paulo/SP

  3. O governo americano (não me lembro agora se em toda a nação, mas pelo menos na cidade de Nova Iorque) baixou uma lei que regulamenta o volume máximo no copo de refrigerante, e líquidos em geral, a ser vendido em fast foods como uma forma de “controlar ” o ritmo da obesidade naquele país (ou cidade). Taí mais uma mostra do “dirigismo” do estado.

    Mas o consumidor pode muito bem ingerir dois ou mais copos em vez de um só. E até parece que os índices crescentes de obesidade têm alguma coisa a ver com o volume do copo de refrigrante.

    As aparentes vantagens, os confortos, oferecidos no mercado alimenticio americano, diminuiram o compromisso (número de horas gastas) das mulheres na culinária doméstica para que elas fossem para o mercado de trabalho. Em contrapartida, a baixa qualidade e o alto valor calórico dos alimentos que não estragam tão rapidamente – a quantidade de conservantes, aromatizantes e antibióticos neles inseridos – levaram aquela mesma sociedade a se tornar doente.

    Da mesma forma, estamos caminhando no Brasil, a passos mais lentos, porque ainda podemos ter empregadas e faxineiras, mas o caminho que se nos mostra é o mesmo. Veja o que já acontece com as classes mais pobres, que consome “X-tudo” no lugar de janta, já que o almoço, para os filhos dessas tais classes, é oferecido nas escolas públicas.

    Ao meu ver, o que precisa ser pensado, é uma forma de conciliar o trabalho doméstico, o cuidado e a educação familiar dos filhos e a vida profissional de modo menos tenso e irresponsável, onde se delega ao Estado esse papel facista.

    Sinceramente,
    Sheila Nunes

Comentários encerrados.

 
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